Comunicação Social do MPPR

Consumidor

19/10/2010

Proteste aponta falha na segurança em carros brasileiros.

Carros vendidos na América Latina agora também estão sob a mira do NCAP, um programa europeu de avaliação de carros que é referência para o mercado local. O projeto Latin NCAP foi lançado oficialmente nesta segunda-feira (18), em São Paulo, com a divulgação do crash test de seis modelos vendidos na região: Toyota Corolla XEi, Chevrolet Meriva GL PLus, Fiat Palio ELX 1.4 (com e sem airbags), Volkswagen Gol Trend 1.6 (com e sem airbags), Peugeot 207 Compact 1.4 (com e sem airbags) e Geely CK 1 1.3. Todos são fabricados no Brasil, com exceção do último, que é feito na China e ainda não é vendido no país.

No quesito segurança para adultos, apenas um deles ganhou quatro estrelas – o máximo são cinco —, o Corolla. E o modelo chinês nem sequer pontuou. Para crianças, nenhum passou de duas estrelas. “Escolhemos dois carros (Corolla e Meriva) que são semelhantes aos vendidos na Europa, três modelos populares (207, Gol e Palio) e um importado (chinês) sem adaptação, que tem bastante representatividade de vendas em mercados como Uruguai e Chile”, destaca o coordenador do Latin NCAP, Jean Marie Mortier.

Os testes de impacto do programa foram feitos na Alemanha sob o rigoroso padrão do NCAP europeu, que realiza impactos frontais a 64 km/h. Como forma de comparação, a lei europeia obriga testes a 56 km/h para homologar produtos, enquanto que a brasileira exige testes a 48 km/h. O veículo colidiu com apenas 40% de um obstáculo deformável que simula um automóvel, como se o motorista tentasse desviar.

Dentro dos veículos, foram colocados dois bonecos (dummies) adultos no banco da frente e, atrás, dois bonecos equivalentes a crianças de 3 anos e de 18 meses, com dispositivo de segurança (cadeirinha ou bebê conforto). Carros vendidos com airbag como opcional foram avaliados com e sem o equipamento.

Segurança no alvo

Como a avaliação do programa não é vinculada a nenhum órgão oficial, ela não pode reprovar a circulação de veículos, apenas alerta os consumidores sobre os modelos vendidos no mercado para, assim, forçar o aumento do nível de segurança dos carros. Por esse motivo, no Brasil, o instituto trabalhará em parceria com a Proteste Associação de Consumidores. Todos os modelos avaliados estão homologados nos países onde são vendidos, ou seja, foram aprovados em testes de segurança segundo padrões de cada mercado (Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai).

De acordo com a entidade, alguns testes contaram com apoio das próprias montadoras, enquanto outros foram realizados com carros comprados pela entidade. O Latin NCAP foi criado pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com supervisão do Euro NCAP.

Para o secretário geral da matriz europeia, Michel Van Ratingen, os testes mostram o quanto é importante a obrigatoriedade de airbags, a necessidade de cintos mais modernos (com pré-tensionador), estruturas mais seguras e a necessidade de aperfeiçoamento da estrutura para proteção das pernas e a necessidade de montadoras e fabricantes de equipamentos de proteção de crianças desenvolverem produtos em parceria.

“Concluímos que os carros populares têm nível baixo de segurança. É preciso investir em publicidade sobre a importância do uso de cadeirinhas para criança, airbags, freios ABS, controle de estabilidade. Com escala de produção, os custos vão cair. Além disso, com carros mais seguros a indústria local pode impulsionar as exportações”, acrescenta Jean Marie Mortier.

Lei para testes de impacto

A partir de 2012, os testes frontais, traseiros e biodinâmicos (com a utilização de bonecos) serão obrigatórios para homologar os veículos novos. O teste completo avalia impactos na cabeça, pescoço, tórax, joelhos e pés. Atualmente, é exigida apenas a avaliação estrutural de retenção da coluna de direção.

Para os modelos já em circulação, esse sistema passará a ser exigido a partir de 2014, o que invalida também os carros que não possuem airbag. Os testes terão de estar de acordo com as normas estabelecidas pela Agência Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), mas não precisam ser realizados no Brasil.

De acordo com o conselheiro do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e representante do Ministério dos Transportes Rone Evaldo Barbosa, também presente no evento, os laboratórios do Latin NCAP não farão parte desse novo teste para homologação, a não ser que a própria fabricante opte pela entidade.

Já o representante do Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo (Ipem/SP) Fabiano marques de Paula a ideia é que o Inmetro possua no país um laboratório como os do Euro NCAP para efetuar os testes de homologação.


Fonte: Gazeta do Povo.
Acesso em: 19/10/2010.
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