Clipping - Morte de Wendel Júnior, de 14 anos, em treinamento de base do Vasco (RJ)

Data 10/02/2012 | Assunto: Criança e Adolescente


Justiça fecha CT das divisões de base do Vasco

  

Flamengo, Fluminense e Botafogo também estão na mira dos promotores, por desrespeito aos direitos da criança e do adolescente.

  

Wendel Júnior Venâncio da Silva
Wendel Júnior Venâncio da Silva, de 14 anos,
que morreu após um treino no CT de Itaguaí: falta de condições

  

Em busca do sonho de se tornarem ídolos do futebol, meninos precisam driblar uma rotina de privações mesmo nas instalações dos grandes clubes. Com base em ação civil do Ministério Público do Rio de Janeiro, que denunciou as péssimas condições a que são submetidos os adolescentes das divisões de base do Vasco da Gama, o Centro de Treinamento de Itaguaí teve suas atividades suspensas nesta quarta-feira, por decisão da juíza Ivone Ferreira Caetano, da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Capital. Em fevereiro, morreu ali o menino Wendel Venâncio da Silva, de 14 anos, depois de passar mal durante um teste.

O Vasco também terá que adequar as instalações de sua sede, no bairro de São Cristóvão em um prazo de 30 dias. O descumprimento implica multa de até 30 mil reais por dia. De acordo com os promotores, os alojamentos e refeitórios destinados aos jovens estão em situação insalubre, abaixo até mesmo dos abrigos para menores infratores, conhecidos pelas péssimas instalações. Eles passaram um ano negociando com o Vasco a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta, em reuniões que contaram com a presença do presidente Roberto Dinamite. Nesse período, o clube omitiu a existência da unidade de Itaguaí, para onde levava os adolescentes diariamente num ônibus sucateado, fora das condições mais básicas de segurança.

“Não queremos impedir que essas crianças sonhem, mas é necessário dar um alerta aos pais. Não podemos afirmar que a culpa pela morte do menino seja do Vasco, mas a falta de água, a alimentação precária e a falta de exames médicos prévios podem ter contribuído sim”, afirma a promotora Clisânger Gonçalves Luzes.

Atualmente, o Vasco hospeda num alojamento 44 meninos com idades entre 14 e 18 anos, sendo 24 deles de fora do estado. De acordo com os promotores, eles são submetidos a uma alimentação precária e insuficiente, têm acesso controlado à água, faltam à escola para treinar e sofrem com a falta de higiene e limpeza. Infiltrações no teto, colchonetes pelo chão, armários quebrados e sanitários sem porta completam o cenário de horror.

“Os meninos reclamavam de sede. Há relatos de que bebiam água do chuveiro. Tomavam um modesto café da manhã em São Januário e saíam às 7h para Itaguaí. Treinavam até às 11h30 e depois voltavam. Muitas vezes, perdiam a aula. Não havia cinto de segurança e faltavam botões e instrumentos de navegação no painel. Basta olhar para o veículo e ver que é um perigo. Não tem condições de circular”, afirmou a promotora.

A garantia do direito à convivência familiar é um dos pontos que mais preocupa o MP. O clube custeia apenas uma viagem por ano aos meninos, que sofrem com a distância da família. Para falar com os pais, eles precisam usar os próprios celulares. Em caso de necessidade de consulta médica, os adolescentes têm que desembolsar o valor da passagem.

A situação não é uma exclusividade do Vasco, alertam os promotores. Os outros três grandes clubes do Rio também já estão na mira do MP. No caso do Flamengo, foi instaurado um inquérito civil após um adolescente de 14 anos se ferir dentro das dependências do clube e levar 33 pontos. Irregularidades nos CTs levaram a abertura de procedimentos administrativos contra Botafogo e Fluminense. A expectativa do MP é que, ao contrário do Vasco, os três clubes assinem um TAC comprometendo-se a corrigir os problemas.

“Infelizmente, os clubes encaram esses meninos como simples objetos de lucro”, atesta o promotor Afonso Henrique Lemos Pereira.

Segundo os promotores, os pequenos clubes também serão vistoriados e o trabalho deve ir além do futebol. Com a proximidade dos Jogos Olímpicos, o MP também pretende acompanhar a situação em centros de treinamento de outras modalidades.

Rafael Lemos
Rio de Janeiro - RJ, 18/04/2012

  

[Fonte: Revista Veja - Esportes]

  

  

Adolescente morre em treino da categoria de base do Vasco

  

Wendel Júnior Venâncio da Silva, de 14 anos, foi encaminhado à unidade de saúde, mas chegou morto (09/02/2012).

  

O jovem Wendel Júnior Venâncio da Silva, de 14 anos, que fazia teste na categoria sub-15 do Vasco, passou mal e morreu, na manhã desta quinta-feira (09/02/2012), durante atividade no centro de treinamento das categorias de base do clube em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio.

Segundo as primeiras informações, não havia equipe médica acompanhando o treino dos jovens. O Vasco informou que vai se pronunciar ainda nesta quinta.

Após passar mal, o jovem, que veio de Minas Gerais para o período de testes, chegou a ser levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, mas já chegou morto à unidade. O corpo foi levado para o Instituto Médico Legal, em Campo Grande, na zona oeste do Rio, onde está sendo periciado. Integrantes da diretoria do Vasco foram até a UPA.

Devido à morte do jovem, a entrevista coletiva sobre a despedida do ex-jogador Edmundo, marcada para esta quinta (09/02/2012), foi adiada.

  

[Fonte: Gazeta do Povo - Esportiva]

  

  

Corpo de adolescente que morreu em treino do Vasco será enterrado em São João Nepomuceno

  

Clube carioca informou que atestado médico apontava que o jovem de 15 anos estava saudável e apto para a prática esportiva

  

Será sepultado na tarde desta sexta-feira (10/02/2012) em São João Nepomuceno, na Zona da Mata mineira, o corpo do adolescente Wendel Junio Venâncio de Almeida, de 15 anos, que morreu durante um treino da equipe do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. O corpo do adolescente deve chegar a Minas Gerais às 10h e o enterro está marcado para as 14h no Cemitério Municipal.

O garoto passou mal na tarde de quinta-feira (09/02/2012) durante um teste para integrar a categoria de base do clube. Durante o treino, o calor era forte no local no CT de Itaguaí, que recebe as equipes de base do clube de São Januário. O problema começou quando o jovem atleta sofreu uma convulsão.

Em nota, o clube carioca informou que o atestado médico obrigatório apresentado pelo jovem e emitido pelo médico auxiliar apontava que Wendel era saudável e apto para a pratica esportiva. Todos os documentos solicitados pelo clube também foram apresentados. O atleta participou de duas avaliações técnicas, sendo uma no dia 7 de fevereiro e outra nessa quinta-feira.

No texto, o Vasco da Gama também deu mais detalhes sobre os testes. “Cabe a nós informar que os atletas em teste são submetidos a três avaliações técnicas, no período de uma semana, sem caráter competitivo, para a definição de seu aproveitamento ou não no nosso clube. Todos os atletas em teste são respaldados, neste período de avaliação técnica, pelo referido atestado de seu médico assistente. No caso específico desse atleta, o atestado foi emitido em 3 de fevereiro de 2012, dando-o como apto à prática esportiva”, diz o clube na nota.

Ainda segundo o clube, na tarde de quinta-feira, o adolescente sofreu um mal súbito aos 12 minutos da avaliação, sendo levado imediatamente para uma Unidade de Pronto-Atendimento, onde morreu. O Vasco da Gama informou que está prestando todo o apoio à família do adolescente.

Cristiane Silva
10/02/2012

  

[Fonte: Jornal Estado de Minas]

  

  

Adolescente que morreu em treino do Vasco é enterrado

  

Clube admite que não havia médico no treinamento. Polícia investiga o caso.

  

Wendel Junior Venâncio da Silva, que tinha 14 anos e morreu na última quinta-feira, durante um teste para entrar na equipe Sub-15 do Vasco, foi enterrado nesta sexta, com uma bandeira vascaína sobre o caixão, em São João Nepomuceno (MG).

O diretor das categorias de base do Vasco, Humberto Rocha, admitiu nesta sexta-feira (10/02/2012) que não havia médico no centro de treinamento do clube, em Itaguaí, na região metropolitana do Rio durante o treino em que o jovem jogador morreu.

O caso está sendo investigado pela 50ª Delegacia de Polícia. Na próxima semana, vão ser ouvidos funcionários do CT das categorias de base do Vasco. E o resultado da necropsia feita no corpo do menino só deve ficar pronto em 30 dias.

O pai de Wendel, Antônio Carlos Venâncio, disse nesta sexta-feira não ter "nada a reclamar do Vasco". "O que a diretoria poderia fazer, fez, mas infelizmente não teve jeito", afirmou ele. O clube prometeu dar todo apoio à família do garoto.

  

[Fonte: Gazeta do Povo - Esportiva]

  

  






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