Sesa admite erro em pesquisa que avaliou qualidade das águas minerais no PR

Data 12/12/2014 | Assunto: Consumidor

Estudo estava equivocado por utilizar portaria errada do Ministério da Saúde. Com os critérios corretos da Anvisa, apenas três marcas apresentaram irregularidades
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) admitiu nesta quinta-feira (11) que houve erro no estudo que havia reprovado a qualidade de oito marcas de água mineral do Paraná. Por meio de nota, o governo explica que a pesquisa conduzida com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) foi baseada na portaria 2914 do Ministério da Saúde para a qualidade de água de abastecimento público, ao invés da norma correta da Anvisa sobre qualidade de água mineral, que é a resolução RDC 275.

O equívoco gerou uma interpretação errada com relação à presença de bactérias heterotróficas. De acordo com a norma usada incorretamente, não existem padrões limites para a presença dessas bactérias nas águas minerais e as empresas são impedidas por lei de acrescentar substâncias bactericidas, como cloro, por exemplo, já que a água deve ser extraída de fonte natural. Segundo a Sesa, esses micro-organismos não são prejudiciais à saúde e não condenam a qualidade do produto comercializado.
Sendo assim, as marcas de água mineral Timbu, Frescale, Maceratti, Aguativa e Itaipu apresentam-se dentro dos parâmetros estabelecidos na Resolução RDC 275 da Anvisa. Dessa forma apenas três marcas apresentam irregularidades. A água Ana Rosa foi reprovada por apresentar coliformes totais e as marcas Fontana Oro e D’Fonte apresentaram níveis de fluoreto que estavam abaixo do informado na embalagem.

Explicações
A empresa Ana Rosa não contesta os resultados, mas informa que o lote analisado está fora de circulação e que não pode garantir que os estabelecimentos que adquiriram o produto ofereçam as condições ideais de armazenamento. A mineradora ressalta ainda que possui rigorosos controles de qualidade de envase e microbiologia que superam as exigências legais.

A Fontana Oro diz que o estudo sobre a quantidade de sais deve ser feita na fonte da água e não deve ser aferida nos galões, pois tais medições pontuais sempre apresentam valores a mais ou a menos. Segundo o diretor administrativo da empresa, Daniel Nogi, a mineradora nem sequer foi notificada pela Vigilância Sanitária. “Nós estamos dentro dos padrões na fonte. De outra forma, não estaríamos funcionando”, garante Nogi. Representantes da D’Fonte não foram localizados pela reportagem até as 16h30 desta quinta.

Os dados sobre as 22 marcas avaliadas foram divulgados na última terça-feira (9). O levantamento aconteceu entre os meses de março e outubro deste ano, quando a Vigilância Sanitária coletou produtos em supermercados de diversas regiões do estado. A intenção agora é ampliar o monitoramento para a água mineral de garrafa e copo plástico.
O que são bactérias heterotróficas e coliformes totais?

O termo indica um grupo bastante genérico de bactérias que se originam a partir de substâncias orgânicas e que não causam doenças. O diretor do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Paulo Costa Santana, esclarece que a presença desse grupo de micro-organismos indica o nível da qualidade de produção e salubridade. "Quanto maior a concentração, menor é a limpeza do produto", destaca Santana.

Já os coliformes totais são um grupo de bactérias que habita o intestino dos mamíferos. Elas não são patogênicas quando presentes nos alimentos e na água. Sua presença, porém, pode indicar a existência de um subgrupo de bactérias, conhecidos como coliformes fecais, que fazem mal à saúde humana.

Fonte: Gazeta do Povo, 12/12/2014




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